• Dr. Caio Tramont

A importância do Sono para a nossa saúde

Atualizado: 25 de Out de 2020

É durante o sono que o organismo se recupera do desgaste físico e mental sofrido durante o dia, e ainda cumpre tarefas essenciais para o seu bom funcionamento. A noite mal dormida leva a problemas de coordenação e da capacidade de raciocínio. Atenção: não confundir estado de coma com sono!



Benefícios do sono:

Impulsionar seu sistema imunológico.

Recuperar-se das atividades do dia.

Recarregar seu coração e sistema cardiovascular para o dia seguinte.

COMO O SONO FUNCIONA?

Basicamente, existem dois estágios de sono: ondas cerebrais lentas e sono REM (ou de movimentos rápidos dos olhos). Estes estágios se alternam durante o período em que nós dormimos.

Ondas Cerebrais Lentas: excepcionalmente relaxante, é o chamado “sono profundo”. Está relacionado ao relaxamento da circulação (a pressão arterial diminui em torno de 10% a 30%) e diminuição das funções vegetativas do corpo. Sonhos e pesadelos podem ocorrer neste estágio. Porém, não são lembrados porque não há memorização dos sonhos neste estágio.

Sono REM: estágio de duração variável, de 5 a 30 minutos, que ocorre a cada 90 minutos de sono. No início do sono, a duração do estágio REM é mais curta. Esta tende a ser maior com o passar da noite, conforme o indivíduo ficar mais descansado.

  • Estágio mais relacionado aos sonhos e aos movimentos corporais ativos

  • O despertar do indivíduo é mais fácil neste estágio. Inclusive, em geral, as pessoas despertam, pela manhã, durante o sono REM

  • A musculatura encontra-se extremamente relaxada. Porém, ocorrem movimentos rápidos dos olhos e movimentação irregular dos músculos

  • A respiração e os batimentos cardíacos se tornam bastante irregulares, sendo essa uma característica dos sonhos

  • Ocorre maior atividade cerebral e seu metabolismo aumenta em 20%. A atividade cerebral se assemelha ao nível de atividade durante o período em que estamos acordados. Por esta razão, o sono REM também é conhecido como sono paradoxal, porque é um paradoxo a pessoa estar dormindo apesar do aumento da atividade cerebral.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS PROBLEMAS DO SONO?

• A insônia é a dificuldade de adormecer, manter o sono durante a noite e o despertar antes do horário desejado e pode ser causada por:

• Expectativas

• Doenças

• Problemas emocionais passageiros

• Associação da dificuldade de dormir a comportamentos, tais como:

  • Esforço para dormir

  • Permanência na cama apenas para descansar

  • Elaboração de pensamentos e planejamentos na hora de dormir

  • Atenção a fenômenos ambientais (ruídos e pessoas dormindo)

• A associação da dificuldade de dormir a comportamentos que impedem a pessoa de relaxar retroalimenta a insônia, que pode se tornar crônica e, consequentemente, o prolongar o sofrimento por muito tempo. Outro fator importante é a permanência prolongada nas redes sociais, que tem efeito estimulante e, portanto, contribui para a insônia. A pandemia COVID-19, nova experiência para a grande maioria das pessoas, acarreta o medo de adoecer e as incertezas causadas pelos impactos econômicos desta pandemia são os principais motivos dos distúrbios do sono atualmente. É importante observar que a pandemia COVID-19 introduziu mudanças nos hábitos da população, que passou a conviver diariamente com o medo de adoecer, casos acontecendo com pessoas próximas que são hospitalizadas e, eventualmente, morrem; isolamento social, afastamento do trabalho e sentimentos de insegurança quanto ao futuro e ansiedade.

• A insônia pode levar a piora do desempenho das atividades diárias (estudo, trabalho e produtividade), tendência a cometer erros, irritabilidade, fadiga, sonolência diurna, falta de energia, declínio cognitivo, desenvolvimento de depressão e maior uso de serviços de saúde mesmo após o controle de condições clínicas e psiquiátricas.

• A apnéia obstrutiva do sono é a obstrução das vias aéreas na altura da garganta durante o sono, que leva a uma parada da respiração por cerca de 20 segundos. Em seguida, a pessoa acorda emitindo um ronco muito barulhento. Pode ocorrer durante toda a noite, com algumas pessoas podendo apresentar uma apnéia a cada 1 a 2 minutos. Em longo prazo, podem acontecer doenças das artérias devido a acúmulo de colesterol nas suas paredes, infarto do miocárdio (coração), derrame, diminuição da oxigenação do sangue, síndrome metabólica (distúrbios relacionados a gordura e açúcar no sangue), hipertensão arterial e aumento do diâmetro do abdômen. Pessoas que apresentam síndrome metabólica têm maiores chances de ter infarto do miocárdio, derrame e demência (por exemplo, doença de Alzheimer).


Por que o ronco faz mal?

  • O ronco faz os músculos respiratórios e o coração ficarem sobrecarregados. Consequentemente, ao longo do tempo, quem ronca pode apresentar hipertensão arterial, infarto do miocárdio, derrame, obesidade, prejuízo da memória, dificuldade de raciocínio, diminuição da libido e disfunção erétil.


COMO SE DIAGNOSTICAM OS PROBLEMAS DO SONO?

• De um modo geral, as pessoas com distúrbios do sono apresentam sonolência diurna exagerada, irritabilidade, alterações na memória, aprendizado, raciocínio e pensamento, além de ronco e, em alguns casos, dor de cabeça.

• Para detectar um distúrbio de sono, além dos sintomas citados, é útil aplicar questionários, tais como a Escala de Sonolência de Epworth.

• O exame que diagnostica os distúrbios de sono é a polissonografia, que avalia a qualidade do sono e diagnostica distúrbios como a apneia, que avalia de forma não-invasiva as atividades cerebral, respiratória e muscular durante o sono. Sensores espalhados pelo corpo enviam informações para computadores, que analisam os dados e os transformam em padrões que descrevem detalhadamente como o paciente descansa.


COMO SE TRATA?

• O tratamento se dá através de terapia por CPAP (pressão positiva) durante o sono. Este dispositivo aplica pressão sobre o sistema respiratório com o objetivo de evitar a obstrução que causa os roncos e os episódios de apneia. Consequentemente, há maior oxigenação do sangue e maior qualidade do sono. É necessário ser avaliado por vários profissionais: médico, fisioterapeuta, psicanalista, psicólogo e nutricionista.


DICAS PARA DORMIR MELHOR

• Se exponha ao sol de manhã por, pelo menos, uma a duas horas. Assim, você ajustará melhor o relógio biológico. Os olhos captarão a luz e, ao fim do dia, a escuridão. De noite, o organismo aumentará a concentração de Melatonina, que é o hormônio que sinaliza que o cérebro já pode produzir o sono.

• Faça atividade física. Exercitar-se faz com que o organismo libere as substâncias chamadas endorfina, dopamina e serotonina, que produzem a sensação de bem-estar. É recomendável que a atividade física termine até, no máximo, duas horas antes de dormir, para permitir que o corpo relaxe. É cientificamente comprovado que que é fisicamente ativo dorme melhor. Procure um Educador Físico!

• Evite cafeína depois das 17 horas. O seu efeito estimulante dura seis horas e isso pode dificultar o sono.

• Evite álcool de noite. Apesar de o primeiro efeito do álcool ser sedativo, depois de um tempo ele pode provocar agitação. Recomenda-se então evitar o consumo de álcool até seis horas antes de dormir e como indutor do sono.

• Controle a ansiedade. Faça um planejamento para o dia seguinte horas antes de dormir. Se possível, anote suas preocupações num papel e, depois, jogue fora. Agindo dessa forma, você pode se tranquilizar e dormir mais facilmente.

• Crie um ambiente aconchegante para dormir. Deve ser um local confortável, sem luz e o mais silencioso possível para ajudar a relaxar.

• Evite a exposição excessiva à luz durante a noite. Uso de celulares, tablets, computadores e assistir TV podem diminuir a produção de melatonina (que ocorre de noite) e, com isso, desregular o sono.


Dr. Caio Tramont Fisioterapeuta com Residência em Fisioterpia Geriátrica. Mestre em Ciências. Palestrante. Profissional atuante há 22 anos.

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